John POV's
Senti o celular vibrar.
– Garrett, te ligo mais tarde, acho que tem alguém ligando! – Desliguei o telefone antes que ele pudesse responder.
Era uma mensagem.
Eu realmente não conhecia o número que havia me enviado, mas era melhor eu checar do que se tratava.
“Acabei de chegar no Arizona! Estou indo pro hotel, vem pra cá assim que puder! ”
Não havia uma identificação ou nada parecido. Será que alguma fã havia descoberto a porra do número do meu celular? Puta merda!
Selecionei a tecla de resposta e digitei “Quem é? Eu não reconheço o número! - John”
Coloquei o celular na mesa e fui para cozinha, tinha acabado de acordar e a fome era grande!
POV's
- Merda! – Não pude evitar pensar alto.
Sentei na cama do quarto de hotel e olhei para o celular. Eu tinha enviado a mensagem para o número errado.
E AGORA? EU NÃO TINHA O NÚMERO DA MINHA IRMÃ, NÃO FAÇO IDEIA DE ONDE ELA MORA E NÃO TENHO INTERNET! EU NEM SEI AONDE ESTOU!
“Desculpa, mandei para pessoa errada. Pensei que fosse o celular da minha irmã. Eu não sou daqui, tinha marcado de vir pra cá pra vê-la! Ai meu Deus, eu não tenho contato com ela, acho que anotei o telefone errado, desculpe! - ” digitei o mais rápido que eu pude.
Eu tenho que ligar pra casa! Era só o que me faltava, perdida no Arizona!
John POV's
Eu, definitivamente, não sou bom nessas coisas de cozinhar.
Olhei para as panquecas queimadas e fiz uma careta. Eu não ia comer aquilo de jeito nenhum. Vou ligar pro Kennedy e pro Pat pra comerem uma pizza comigo.
Peguei o celular em cima da mesa da cozinha e o senti vibrar.
Era mais uma mensagem, talvez da mesma pessoa.
“Sem problema! E nossa, eu sinto muito, você é de onde? Precisa de ajuda em alguma coisa? - John” respondi.
A menina realmente estava em apuros, vir sozinha pra outro lugar não é muito legal. E pelo número... Bom, ela não é do país!
Disquei o número da casa do Patrick e esperei que ele atendesse.
– Ei, Dude! Vem pra cá, chama o Kennedy e vamos pedir uma pizza! – Falei, antes que ele pudesse dizer “alô”.
– Pizza? Vou levar uns cupcakes que minha mãe fez também! Ligo pro Kennedy e encontro você aí em 30 minutos!
– Beleza! Vou pedindo a pizza e fala pro Kennedy trazer bebida, NÃO ESQUECE!
– Relaxa! Depois a gente se fala! – desligou.
Senti o celular vibrando mais uma vez.
Abri a caixa de mensagem e era outra mensagem dela. “Eu realmente preciso de ajuda. Sou do Brasil, acabei de tentar ligar pra lá pra casa e ninguém atendeu! Não faço ideia de que horas sejam lá... Mas ei! Como eu vou saber que você não é um tipo de pedófilo? Ou que você vai me sequestrar? Vai que você quer se aproveitar da situação? - ”
Ri sozinho da mensagem, depois ri de mim mesmo por ter rido sozinho.
Ela parecia legal, talvez fosse bonita. E ajudar alguém é caridade e isso me garante um lugar no céu! Se é que essa história é mesmo verdade.
“Meu nome é John e não, eu não sou um pedófilo. Eu moro em Tempe, aqui no Arizona. Tem uns amigos vindo pra cá se o seu hotel for perto daqui, eu posso te passar o endereço e você pega um táxi e vem comer pizza com a gente, ou mais tarde eu posso passar aí. E relaxa, não vou te sequestrar. Eu sou alto o suficiente pra isso, mas sou magrelo e você poderia me dar um empurrão que o vento me levaria. E você é do Brasil? Sério? WOW! Eu já fui lá uma vez, começo de dezembro, foi incrível! - John”
POV's
Apesar de eu não ter conseguido me comunicar com ninguém do Brasil e não saber o endereço e nem o telefone da minha irmã, as mensagens de John me acalmaram. Algo me dizia que eu ficaria bem e falar com alguém, mesmo que eu não o conhecesse me deixava segura.
Mas não! Eu não iria pra casa dele, é um estranho e eu ainda tenho minhas dúvidas!
“Desculpe-me, mas eu ainda não confio em você. Se quiser, eu te passo o endereço do hotel e você vem aqui mais tarde, ainda é cedo, eu acho. Eu não vou até sua casa, você pode me matar e enterrar meu corpo no jardim! Hahahahaha – ”
Joguei o celular na cama e fui para o banheiro.
Precisava de um banho, o vôo foi longo e cansativo. Mas vejamos pelo lado bom: eu já teria algo pra contar naquela coluna idiota que eu tenho naquela revista adolescente idiota. Não tão idiota porque eu era paga muito bem pelo pedacinho de papel que eu escrevia.
Por falar em revista... Isso me fez lembrar daquela banda chata e ridícula que tocou no Brasil, The Maine. E eles são do Arizona, o vocalista tem o mesmo nome que esse cara seja lá quem for.
Whatever.
Tirei a minha roupa, joguei no chão e entrei no banho, eu precisava!
John POV's
“Sem problemas! Mande-me o endereço que eu posso aí às 20h, ok? Vou te levar pra um bar que eu sempre vou com uns amigos e eles vão também! Passe o endereço do hotel e quando eu estiver saindo de casa eu te ligo! E espero que você não esteja me enganando, a sequestradora da história pode ser você! Hahaha – John” respondi.
Larguei o telefone na mesa e voltei para o fogão. Eu tinha que limpar isso antes que os meninos chegassem, eles iriam me zoar por não saber cozinhar, com certeza!
Lavei toda a louça, liguei pra pizzaria e tomei um banho rápido.
Abri uma cerveja e me joguei no sofá, assistindo televisão enquanto esperava os cabeçudos e as pizzas chegarem.
POV's
Já eram quase 20h e nada do tal John ligar.
E se ele tivesse morrido? Ou pior, e se ele fosse um velho louco? Ele pode me estuprar também. E nada de notícias da minha irmã também. Como é bom se esquecerem de você!
Desliguei o notebook e calcei a o coturno que estava embaixo da cama. Se esse fulano não viria aqui, eu iria sair sozinha!
“Baby, baby blue eyes...” era o meu telefone tocando.
Dei um salto até a mesinha do quarto, caindo de lado.
Isso, , se machuca! Aproveita e morre, sua lerda!
Olhei no visor do celular e era o número do velho-John-pedófilo.
– Hey! – Atendi.
– Desculpe-me a demora pra ligar! – Pude ouvir uma risada rouca e gostosa no final da frase.
Oh, god!
– No problem, John! Você ainda vem? – Perguntei.
O dono dessa voz deveria ser um gato, uau!
– É claro! Chego aí em quinze minutos, é perto da minha casa e vou com uns amigos de banda.
– Banda? Você tem uma banda? Que legal, tocam o que? – Eu não devia ter perguntado isso, merda.
– We are The Maine e tocamos indie, pop rock, às pessoas classificam de várias formas...
Puta merda! The Maine?
Olhe pra cima.
Deus, que castigo o senhor está me dando? Eu joguei chiclete na cruz? Foi isso?
– Ah, eu não conheço. Bom, vou acabar de me arrumar e te espero na porta do hotel, John!
– Ok.
Desliguei o telefone.
Cacete. Então era aquela girafa? Por isso aquela piadinha sobre ser magrelo? Respirei fundo. Não é porque eu não fui com a cara deles que eu tinha que achar que eram idiotas completos, né? Vamos ver o que essa ida no bar vai dar.
Troquei a blusa por algo mais confortável e bonito, passei o cartão na porta do hotel e fui para recepção, esperar por uma girafa de olhos claros.
John POV's
– John, só espero que não seja nenhuma merda! – Garrett disse me dando um tapinha nas costas. – Afinal, você nem conhece essa menina, né?
Pat me olhou no banco do carro demonstrando que pensava a mesma coisa.
– Relaxem! Ela deve ser gata! Mas eu sei que deveria ter pedido uma foto.
Olhei para um letreiro dourado em cima de um prédio.
– Chegamos, guys! – Falei.
– Se ela for feia, você pega! – Garrett abriu a porta do carro, eu fiz o mesmo.
Olhei para os lados e não havia nenhum sinal da tal . Isso só podia ser brincadeira!
Peguei meu celular do bolso e digitei uma mensagem.
“Tô na porta o hotel com os meninos, cadê você? - John” enviei.
– Cadê essa garota-pedofila-louca-velha- ? – Pat peguntou, jogando os cabelos.
Eu nunca entendi o motivo dele sempre deixar o cabelo grande, ele sempre deu essa desculpa das orelhas, mas as orelhinhas do little Pat nem são tão grandes, acho que ele curte achar que é menina às vezes!
Meu celular vibrou, só podia ser ela! “De bota e shorts jeans na entrada do hotel. Venha falar comigo, estou morrendo de vergonha! Hahaha – ”Olhei em direção à entrada do hotel.
“Holy shit!” foi a primeira coisa que pude pensar.
– É ela? Tá brincando?! – Garrett disse, percebendo minha expressão.
– Acho que alguém aqui se deu bem, mas eu só acho! – Pat riu, dando um tapa nas minhas costas – Vai lá, cara!
Respirei fundo e caminhei em direção a tal garota. Conforme eu me aproximava, mais bonita ela ficava.
– Hey! ? – Perguntei, sem conseguir dizer outra coisa.
– Hey, John! – Ela me abraçou, parecia a simpatia em pessoa.
POV's
– Pelo menos agora eu sei que você não é um velho-maluco-estuprador-pedófilo. – Sorri, tentando ser o mais simpática possível.
Tentei não pensar no quanto a banda dele era ruim e no quanto eu ouvia falar da fama de bêbado drogado que esse sorriso lindo e esses olhos maravilhosamente claros carregavam.
– E você não é uma louca, querendo me sequestrar! – Ele riu, colocando a mão no cabelo. – Vamos? Vou apresentar você para os meninos!
– São aqueles ali? – Apontei em direção a um carro preto, onde havia dois meninos.
Um deles era o tal do Pat, reconheci logo pelo cabelo comprido e outro não era familiar, devia ser algum amigo.
– Hey boys! Essa aqui é a , a menina das mensagens! – Ele falou, assim que nos aproximamos dos meninos.
Ah, o “desconhecido” era da banda também, eu lembrava dele!
– Garrett e Pat! – Ele disse, com um sorriso enorme.
Eu beijei o rosto dos meninos e, enfim, entramos no carro.
– Aonde nós vamos exatamente? Eu ainda acho que vocês podem me sequestrar! – Falei, quebrando o silêncio no carro.
Pat e Garrett tweetavam enquanto John dirigia.
– A gente vai ao Green Bar. Tem uma galera lá muito legal, e é um lugar muito louco. – John respondeu.
– Nós fizemos um show no Brasil, é muito legal lá, né? O que tu faz perdida no Arizona? – Garrett perguntou, sem tirar os olhos do celular.
– Eu gosto de lá, mas não é o meu lugar preferido. – Respondi – Eu vim pra ver minha irmã, mas era uma surpresa, ela pensou que eu só viria daqui a uma semana. Eu não consigo ligar pra casa, no Brasil, e anotei o telefone dela errado, o telefone era do John, mas eu nem o conhecia. – John balançou a cabeça, concordando – Foi uma coisa bem louca! – Eu sorri.
– É o destino, garota! – John disse, rindo.
– Foi a cantada mais tosca que eu já escutei! – Eu ri dele, os meninos riram junto comigo.
– Nossa, desculpa aí senhorita já-ouvi-cantadas-melhores! – Ele riu.
Olhei para frente e vi que estávamos estacionando em um lugar deserto.
Que porra de lugar era esse que não tinha bar nenhum?
– Onde estamos? Cadê o bar? – Perguntei.
– Você vai ver e vai achar tão louco quanto nós achamos na primeira vez que viemos aqui!
Saímos do carro, o céu já estava completamente escuro.
Eu realmente não queria sair na capa de um jornal com a seguinte manchete “Integrantes de banda americana estupram e matam jovem brasileira que estava de passagem nos Estados Unidos!”
– Por aqui! – Garrett disse, dando pulinhos e animando todo mundo.
Andamos por menos de um minuto e chegamos a uma esquina, em frente a um bueiro de esgoto.
– Ok, e agora? – Perguntei.
John abriu a tampa e uma luz verde saiu lá de dentro.
OH, WHAT!
– Jura? – Perguntei, com um sorriso no rosto.
Era possível ouvir algum tipo de musica eletrônica, mas não era tão alto.
Pat entrou, descendo as escadas, depois Garrett, eu e John.
Era um espaço enorme e havia um segurança na porta.
Ele pediu nossas identidades, mas como reconheceu os meninos disseram que podíamos entrar. E ainda me chamou de “sexy girl”.
Entramos e o lugar era enorme!
Havia casais, adolescentes dançando, um bar que parecia ter todo o tipo de bebida alcoólica do mundo e uma musica boa e alta, mas o bastante para que nós pudéssemos conversar sem que alguém tivesse que gritar. E todas as luzes eram verdes.
– Olha a Lallie! – John disse para Garrett, rindo.
– Eu vou lá! – Garrett foi em direção a um grupo de meninas, uma delas era loira e bem bonita.
– Vou com ele! Divirtam-se! – Pat falou enquanto guardava o celular no bolso.
John POV's
– Quer beber alguma coisa? – Perguntei, tentando ser educado.
Na verdade, eu sempre fui educado.
– Pode ser. Algo bem forte. – Ela respondeu, se dirigindo ao bar.
Eu a segui.
O jeito como ela se movia, o cheiro de álcool que transbordava nela era uma coisa que me chamava atenção.
– Vocês tem “Caipifruta”? – Ela perguntou.
– Desculpa, mas não temos. Isso é uma bebida do Brasil, certo? – Disse o barman, olhando para ela com total malícia.
Isso me deixou bolado, como é que ele quer pegar a garota que eu quero comer? Sai fora, moleque!
– Eu sei de uma bebida que você vai gostar! – Falei, colocando a mão na cintura dela.
Fechei a cara para o barman e disse a ele a bebida que eu queria.
– Caramba, John! Isso aqui é demais. Tu tem bom gosto pra bebida, é assim que eu gosto! – Ela riu junto comigo.
Os olhos dela já estavam vermelhos e eu sentia minha garganta ardendo por causa do álcool.
– Acho melhor nós irmos, daqui a pouco fecha. Até os garotos já foram embora. – Falei me levantando do banco.
– Sério? – Ela riu ainda mais alto – E quem vai dirigir até o hotel?
Merda!
Eu sempre dirigia, mas se eu batesse o carro era problema meu e era a minha vida, eu era o responsável. Então, foda-se.
Mas se algo acontecesse com ela dentro, obviamente não seria uma coisa legal.
– Chamo um táxi. – Respondi.
Eu chamei o barman que ficou me olhando de cara feia o tempo todo, como se eu tivesse medo dele, e paguei a conta.
Saímos de lá pela mesma escada que subimos e fomos até a rua da frente, procurando algum taxi.
Por sorte, em menos de cinco minutos um táxi parou ao nosso sinal.
– Jovens! – O motorista disse – Beberam a noite inteira, foi? Isso que é vida boa! Quando eu tinha a idade de vocês, também fazia altas peraltices.
A única pessoa que já tinha dito a palavra “peraltices” pra mim era minha avó.
Segui o caminho todo trocando uma puta ideia com um motorista e descobri que a filha dele era fã da minha banda e não deixei de ficar feliz com isso. Eu realmente adorava saber sobre minhas fãs, mesmo quando estava bêbado.
– Chegamos, moçada! A corrida fica por conta da casa. – Ele falou – E acho que vocês nem devem saber onde está a carteira. – Riu da própria piada.
– , acorda! – Sacudi a menina que estava dormindo no meu colo.
– John, seu idiota! Me deixa dormir, seu desgraçado de merda, – ela virou pro lado – e eu odeio a sua banda! – disse, resmungando.
– Ok, agora vamos lá pra cima, tá certo? Acho que vou ter que te dar um banho e te colocar pra dormir.
– Você não vai me ver sem roupa e se aproveitar do meu corpinho, John. Não vai, não!
O motorista ria da situação. Eu acho que ele devia ter tomado umas cervejinhas também.
– Tá, eu não vou! Mas levanta, garota. Eu realmente não tenho todo o tempo do mundo, então levanta, caralho! – Eu quase gritava, mas não era de propósito. Era só pra que ela levantasse de lá e não ficasse pagando de bêbado pro motorista e para os caras da recepção do hotel que estavam olhando lá de dentro.
Tá aí um tipo de gente que eu não gosto: fofoqueira.
POV's
Minha visão estava embaçada e eu nem lembrava de como havia pego no sono.
John, provavelmente, tinha me carregado até o quarto e me arrastado pro banheiro.
Eu abri os olhos, tentando enxergar melhor e vi que estava de roupa, John segurava meu corpo e a água caia sobre meus ombros.
God, eu pensei que ele estava pior do que eu lá no bar.
– John, você também precisa de um banho, cacete, todo bêbado! – Eu o puxei pela gola da camisa.
John POV's
Por dois segundos eu perdi o equilíbrio e tentei não entrar no chuveiro, mas me puxou e eu acabei escorregando e ficando com o corpo colado no dela.
– Eu odeio você! – Ela disse, se apoiando no meu ombro. – Você queria se aproveitar de mim, John, eu sou uma menininha indefesa. – Ela disse escorregando nas palavras, mas já não parecia tão bêbada quanto antes.
– Na verdade, eu só queria ir embora, mas não posso te deixar nesse estado. – Falei – E agora eu não vou poder ir embora com a minha roupa molhada.
Ela riu.
Nós rimos.
– Idiota! – Murmurou. – Acho que eu já posso tomar banho sozinha, eu tô bem.
Ela tirou as mãos dos meus ombros e me fitou.
– Ok, já vou sair. – Saí do box e fechei a porta do banheiro.
Tirei a camisa com cuidado pra não molhar o resto do quarto do hotel.
Que noite, John. Que noite!
POV's
Saí do banheiro e vi John em pé, sem camisa olhando pra televisão.
– Desculpa por isso. – Falei, olhando sua roupa toda molhada.
– Sem problema! – Ele sorriu.
Minha visão ainda estava embaçada, mas não pude deixar de notar o quanto o sorriso dele era... Perfeito, no mínimo.
– Você pode deixar sua roupa secando e dormir. Eu só não sei se tenho algo que preste em você. – Falei, olhando ele dos pés a cabeça.
John era realmente uma girafa.
Talvez, ele seja fruto de um cruzamento entre uma girafa e um humano. E daí, resultou no John e os pais dele sejam apenas pais adotivos.
Olha a minha brisa...
– Você só tem uma cama e eu não tenho roupas! – Ele riu, me olhando.
– Cala a sua boca, deixa eu vestir alguma coisa! – Fui em direção ao armário do lado e peguei o meu pijama, eu nem havia percebido que estava só com uma toalha enrolada no corpo.
Voltei para o banheiro e vesti o meu pijama.
Voltei para encontrar John.
– O QUE VOCÊ TÁ VESTINDO? – Perguntei, surpresa ao vê-lo com uma camisa minha e um short meu que não fechava nele. – JOHN! VOCÊ TÁ HILÁRIO! – Comecei a rir.
Peguei meu celular em cima da mesa e tirei uma foto.
– CALA A BOCA! Você quer que eu durma pelado ao seu lado? – Ele disse, cruzando os braços.
– Não seria má ideia! – Eu ri.
Deitei na cama e fiz sinal para que ele deitasse também.
– Eu durmo no canto e só durmo com a televisão ligada, tenho medo de escuro. – Avisei, indo para meu cantinho perto da parede.
– Eu não consigo dormir com nenhuma luz ou barulho. – Ele me olhou, praticamente me fuzilando com os olhos.
– Então, não durma, ué! – Falei, virando as costas pra ele.
– Idiota! – Pude escutar ele murmurando. – , eu não vou conseguir dormir assim!
– Mas eu tenho medo de escuro, John. – Virei pra ele.
– Eu te protejo, tudo bem? – Ele me puxou e me abraçou.
Eu peguei o controle da televisão embaixo do meu travesseiro e a desliguei.
Afoguei meu rosto no peito dele e senti um maravilhoso cheiro de álcool com um perfume doce.
Agora eu tinha certeza que nada no escuro poderia me fazer mal, não com John ali.
E o céu estava ficando mais claro a cada minuto que passava, dava pra perceber isso mesmo com as cortinas fechadas.
Fechei os olhos e senti o sono vindo.
John's POV
Abracei ela o máximo que pude e fiquei sentindo aquele cheirinho de shampoo misturado com álcool e cigarro L.A, aquele cigarro de gay.
Passei os dedos pelo cabelo dela, que ainda estavam molhados.
Beijei o topo da cabeça dela, tentando dormir também.
's POV
Acordei com o meu celular apitando.
Levantei da cama antes que John acordasse. Eu não fazia ideia de que horas eram, mas ele parecia um anjo dormindo e eu não queria fazê-lo despertar de qualquer sonho em que ele estivesse.
Era o despertador do celular que eu havia ativado no dia anterior.
Eram 17h30!!!!!!!!!! MEU DEUS!
Eu nem lembrava que dia era hoje ou quanto a gente dormiu.
Por um segundo lembrei que estava no Arizona e ainda não tinha conseguido falar com a minha irmã.
Sentei na poltrona ao lado da cama e abri a caixa de e-mail do celular, tentando encontrar algum sinal devida dela.
Nada.
Só da minha chefe.
“, eu lembrei que você ia viajar para o Arizona nessas férias e acabei pensando que há uma banda famosa aí. The Maine, você lembra? Que tal ganhar uma promoção se conseguir uma matéria com eles? Só se conseguir, não é nada necessário, mas eu poderia te promover. Seria merecido! Se a resposta for não, entre em contato. Caso contrário, apenas faça o que você sabe fazer de melhor!”
Li aquele e-mail duas vezes.
Eu realmente já estava de saco cheio do cargo de estagiaria e a Teen Famous não era uma revista pequena, muito pelo contrário.
The Maine nunca foi e nunca vai ser minha banda predileta, e eu acabei de conhecer o John. Mas ele me mostrou ser um cara adorável, desses que a gente quer ter pra sempre do nosso lado. E eu lembro do que a gente conversou no bar, o gosto musical dele era ótimo, tudo o que ele passou e todas as vezes que quebraram o coração dele... Eu realmente não gostaria de fazer nada contra ele ou contra os meninos que estavam no carro. Eles foram legais comigo.
Mas, bom, de qualquer jeito eu nunca vou vê-los novamente e é meu emprego e meu futuro que estão em jogo. Eles já tem o futuro garantido, que se foda.
Fechei meu e-mail e chequei a galeria de fotos do meu celular. Eu ainda tinha aquela foto de John.
Ótimo! E com certeza eu ainda teria mais fotos constrangedoras.
Eles poderiam ir para capa e isso seria divino. Pelo menos, pra mim.
Estava decidido, eu ferraria a vida de John, mas ganharia por isso.
Eu realmente não me importava, eu sabia mentir.
Levantei de poltrona e liguei para o serviço de quarto, pedi um café-da-manhã-almoço-janta caprichado pra mim e para John.
John's POV
– É por isso que eu amo hotéis. A comida é incrível! – Falei mastigando de boca cheia – Prova isso aqui! – Falei, enfiando um troço que estava no meu prato na boca dela.
Comida. Algo que eu gostava mais do que qualquer coisa no mundo.
Eu gosto mais de comer do que eu gosto das minhas fãs. E olha que eu gosto MUITO delas.
– Isso é demais! – disse enquanto mastigava.
Já estava praticamente anoitecendo de novo e eu e esquecemos do tempo enquanto comíamos a comida maravilhosa do hotel e víamos algum seriado na televisão.
– Acho melhor eu ir embora. – Levantei da cama, puxando a coberta dela.
– Tá cedo, John! – Ela disse, olhando para o relógio do celular.
– Quer que eu more aqui agora? Eu não liguei pra minha mãe ou pra os meninos, devem ter achado que você me sequestrou como eu pensei que faria.
Peguei minha calça e minha blusa no banheiro que, por sorte, já estavam secas.
– Chato! – Ela fez bico – Você fica uma graça usando minhas roupas, de verdade John!
– Ah, claro! Muito confortável!
Vesti minhas roupas e peguei meu celular, minha carteira e iria direto para o estacionamento do GreenBar, meu carro ainda estava por lá.
– Te vejo amanhã? – Perguntei.
– Você tem mesmo que ir? – Ela fez um bico, olhando fixamente pra mim.
– Se você quiser eu volto amanhã, tenho folga de uma semana da banda.
– Ui, falou o rockstar! – Ela riu – Pode me ligar amanhã antes de vir? Acho que vou tentar entrar em contato com meus pais...
– Sem problema, eu ligo sim.
Ela levantou da cama e se prontificou a me levar até a porta.
– Então, até mais. – Eu disse.
– Falta uma coisa. – Ela me olhou, cruzando os braços.
– O que? – Perguntei.
– Você passa uma noite comigo, dorme na mesma cama que eu e vai embora sem me dar um beijo? Cara, você é gay?
Eu ri, dei dois passos na direção dela e coloquei minhas mãos na cintura fina daquela menina. Senti aquele cheiro de álcool e a beijei.
Foi longo, intenso, bom.
Me afastei e ela sorriu.
– Eu já estava pensando que você era gay, John! Pelo menos isso. – Ela riu, abrindo a porta pra mim.
– Te ligo amanhã! – Falei.
Eu ligaria, com certeza.
Na recepção todos me olhavam engraçado, parecia que diziam “Eu sei o que você fez na noite passada!”, mas nem sabiam que eu passei uma das melhores - ou talvez piores? - noites da minha vida ao lado de uma garota que entrou na minha vida sem querer.
Ah, cara! Eu preciso escrever uma musica sobre isso!
Parei um táxi em frente ao hotel e pedi para que me levasse aonde eu tinha deixado meu carro.
Por sorte, ainda tinha alguns trocados na carteira. Eu precisava parar com essa mania de só andar com cartão de crédito, isso ferrava comigo quando eu precisava de táxi ou alguma coisa assim.
's POV
Depois que John saiu, eu decidi que iria fazer o que minha chefe tinha pedido.
Peguei minha agenda e como eu estava sem notebook, decidi escrever a matéria ali mesmo e quando voltasse pro Brasil arrumaria tudo direitinho.
Passei quase uma hora pensando em um título e terminando um parágrafo.
Eu sentia um pouco de culpa, afinal, o cara foi gentil comigo e me tratou com respeito. Mas... Eu não ligo!
Já era tarde quando escutei meu celular tocando. Era minha mãe.
– MÃE! Finalmente! – atendi empolgada.
– Já chegou? Ninguém conseguiu falar com você, nem sua irmã! Onde você está? Como foi o voo? Eu e seu pai estávamos preocupados, ! – A ligação estava muito longe e eu não conseguia ouvir direito a voz dela.
– Eu já cheguei, está tudo bem! Eu conheci um cara legal e ele me ajudou. Eu também não consegui falar com ela, mãe! Peça pra ela me ligar, ainda estou no hotel... – Eu já comecei a pensar no dinheiro que gastaria no hotel, que era muito caro por sinal.
– Eu vou falar com ela, . Fica bem aí! Qualquer coisa pega um voo e volta pra casa. Seu pai mandou um beijo!
– Manda outro pra ele e diz que estou com saudade. Beijo mãe!
– Cuide-se, ! Juízo! – Ela desligou o telefone.
Minha mãe não era do tipo que ficava preocupada, eu sempre viajava sozinha. Uma vez, fui pra New York sozinha e meu inglês ainda não era muito bom. Consegui me virar bem e voltei pra casa sem nenhum arranhão. Eu tinha 17 anos.
Hoje, com meus 21 e trabalhando na revista, viajar sozinha é fato! Eles sempre me pedem pra fazer entrevistas com estrelas que chegam ao Brasil em outras cidades. Às vezes é solitário, mas eu gosto desse trabalho de conviver com pessoas famosas e tudo mais. Pelo menos, isso me garante um bom salário e muitos seguidores no Twitter.
Por falar em Twitter...
Peguei meu celular pra checar se havia alguma novidade no Twitter e me deparei com uma foto minha e de John nos meus últimos tweets.
Dois bêbados. E isso não era uma coisa muito agradável.
Chequei as replies e havia umas dez mentions de meninas me xingando, todas eram brasileiras.
John's POV
Assim que cheguei em casa, Kennedy, Halvo, Garrett, Pat, Jared foram pra lá jogar vídeo-game. Eu falei sobre e tudo o que tinha acontecido. Eles disseram que eu devia ter comido, mas eu descordei. A única coisa que me incomodava neles era o fato de eles sempre acharem que eu tenho que comer qualquer garota que eu conheça e botam pressão nisso.
Fizeram-me comer uma stripper no meu aniversário de 21 anos, segundo eles eu não podia continuar virgem com aquela idade. E ainda entraram no ônibus da banda pra saber se eu estava mesmo comendo a menina. Eu estava bêbado demais pra pedir pra que eles saíssem e gostando demais daquilo pra pedir que a menina saísse de cima de mim.
Eu acho que se eu gosto de alguma menina, se vou com a cara dela ou quero ficar com ela, eu não preciso atacá-la como um selvagem. Sei lá, não sou assim.
's POV
Esperei a minha irmã me ligar, mas não aconteceu nada. Eu devia ter pedido o número dela quando minha mãe me ligou...
Eu não sabia que horas eram, mas devia tentar dormir. Talvez eu saísse amanhã com John ou sozinha, só pra conhecer a cidade ou fazer alguma coisa. Não vim pro Arizona pra passar o dia todo trancada no quarto. Além do mais, eu precisava de John e de sua banda, precisava de fotos constrangedoras e de histórias piores ainda.
Tomei banho e me joguei na cama. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi o sorriso do John. Logo a seguir, foi a voz rouca dele...
John's POV
– John, vamos fazer brigadeiro? – disse mexendo no armário da cozinha.
– Eu não sei pronunciar isso, mas eu comi no Brasil e é muito bom! Você sabe fazer? – Ele parecia espantado.
– Brigadeiro, John! Bri-ga-de-i-ro! – Soletrei pra ele – É super fácil de fazer, vou te ensinar.
– Do que vamos precisar? – Perguntei.
Havia menos de duas horas que estava aqui em casa e ela já havia revirado minha cozinha toda, não parava quieta.
– Leite condensado e achocolatado em pó... Ah, um pouquinho de manteiga também.
– E o que mais?
– Só isso.
– O QUÊ? SÓ? Mas... – Não era possível que fosse tão fácil assim.
– É, só isso! Aí a gente joga a manteiga na panela, depois o leite condensado e o achocolatado em pó e espera ficar durinho e prontinho.
– Mas ele não fica redondinho? Como se fosse uma bolinha...
– Fica, mas pra isso a gente tem que enrolar. Comer na panela é mais gostoso.
– Então... Vamos ao trabalho!
Peguei tudo o que ela precisava e fiquei assistindo-a fazer o brigadeiro.
se atrapalhava em tudo, eu não conseguia ficar mais de cinco minutos sem rir de alguma idiotice dela.
– Pronto! Agora é só esperar esfriar. – Ela tirou a panela do fogão e colocou em cima da bancada da pia.
– Vai demorar muito? Eu estou com fome.
– Fome? Olha pra você. – Ela apontou pra minha barriga. – Está enorme de gordo! Daqui a pouco as menininhas não vão gostar mais do vocalista do The Maine porque ele virou uma rolha de poço.
– Você quer falar de quem? Parece uma baleia. – Levantei da cadeira e fui em direção a ela.
Eu a encarei. Era óbvio o que eu iria fazer.
– Está me olhando porque? Eu conheço esse olhar, John... NÃO! – Ela gritou quando eu coloquei as minhas mãos na barriga dela e comecei a fazer cócegas.
– John, para! Eu vou te bater... Para, John!
Afastei minhas mãos dela e percebi que já estávamos no chão, meu corpo estava sobre o dela.
– Eu gosto do seus olhos. – Falei, encarando-a.
– Gosto do seu sorriso e da sua voz. – Ela disse, já tinha recuperado o fôlego. – Agora é a hora em que você me da um beijo, não é?
Eu balancei a cabeça e colei nossos lábios.
Ela colocou a mão na minha nuca e nós fomos aprofundando o beijo, deixando tudo um pouco mais quente.
's tirou a minha blusa e nós nos levantamos, sem cortar o beijo. Eu tirei sua blusa e abri seu shorts. Ela envolveu as pernas na minha cintura e eu consegui abrir seu sutiã. Fui caminhando com ela no meu colo até o quarto.
's deitou na cama e eu me joguei em cima dela. A garota abriu minha bermuda e eu pude tirar por completo o shorts dela.
Eu a beijava como se fosse a última coisa que eu faria na minha vida. O calor do corpo dela me fazia querer ter ela dentro de mim.
– John... Eu não quero fazer nada. Ainda é cedo. – Ela me olhou.
Eu franzi a testa.
– Você está sem roupa por que então? Está se esfregando em mim, por quê? – Levantei da cama e peguei minha bermuda do chão.
Tá aí uma coisa que eu nunca vou entender. As meninas chegam até esse ponto pra na hora andarem pra trás. Why?
Coloquei a minha bermuda e voltei pra cozinha.
– John... – 's veio atrás de mim. – Desculpa, eu só... Eu nem te conheço direito.
– Tudo bem! – Eu disse, sem olhar pra trás.
Ela já estava de shorts e pegou a camisa em cima da bancada da cozinha.
Fui até aonde ela tinha deixado a panela do tal brigadeiro, verificar se ainda estava quente.
– Você pode olhar pra mim? – Ela parou do meu lado. – Eu quero te falar uma coisa, depois disso eu vou embora.
– Fala! – Eu me virei pra ela.
's esta séria e me encarava.
– Eu sou virgem, John. Desculpe, tudo bem? Eu vou embora.
Merda!
– Você pode ficar, a gente ainda tem que comer o brigadeiro e podemos ver um filme... – Falei, com o tom de voz baixo.
Por alguns segundos, senti vergonha de ter tratado ela daquele jeito.
's's POV
Era óbvio que era uma mentira. Uma das minhas primeiras mentiras para O'Callaghan.
Mas eu sei como os meninos piram com meninas virgens, já usei essa com outros caras e funcionou. Por algum motivo bizarro eles ficam loucos.
– Eu sei que eu devia ter contado pra você, mas eu pensei que estava preparada.
– Sem problema, 's! Eu acho que posso entender você. – Ele abriu aquele sorriso maravilhoso – Agora pegue duas colheres naquela gaveta e vamos comer isso aqui logo, pelo amor de Deus!
Passamos a tarde comendo brigadeiro, sujando o nariz um do outro e vendo filmes aleatórios na televisão.
Seria uma tarde perfeita para apaixonados, não é? Mas no momento eu considerava isso como um trabalho e já pensava no meu futuro, ganhando uma puta promoção na revista. Era só isso que eu queria.
Nós estávamos sentados no sofá e conversávamos sobre o Brasil. John até arriscou falar “obrigado” e “eu te amo”, o que foi engraçado. Eu ensinei algumas coisas e também gravamos alguns vídeos. Pedi pra ele falar coisas “feias”, disse que não era nada demais e que seria engraçado.
Eu já estava começando a juntar tudo para a minha matéria.
Na mesma tarde minha mãe também me ligou. Ela avisou que ninguém conseguia falar com a minha irmã porque ela estava na Califórnia e só voltaria ano que vem, eu tinha feito merda em não avisar que eu viria mais cedo.
Olhei para John, que sorria do meu lado.
Pelo menos algumas coisas deram certo por aqui.
– Acho que semana que vem começam os ensaios e depois temos shows. – John comentou, raspando a panela de brigadeiro.
– Sr. O' Callaghan voltando para sua rotina normal. – Eu disse.
– E ficando ocupado o tempo todo, sendo perseguido e visitando outros estados e países incríveis sem saber quando volto pra casa, vendo rostos desconhecidos e ouvindo palavras carinhosas de pessoas que eu nunca imaginava que existiam até o momento.
– Deve ser meio... louco, não? As pessoas amam você e você não sabe nem o nome delas.
– Exatamente. Às vezes eu penso que queria ter uma vida um pouco normal. Outras vezes eu penso “Ei, cara! Tem gente que daria a vida pra ter o que você tem. E essas pessoas? Elas te amam sem se importar com o que você faz de errado ou deixa de fazer, elas apóiam qualquer decisão que você tome. Definitivamente, você é um cara de sorte.” E eu sou, realmente, um cara muito sortudo. – Ele sorriu. – Ainda mais nesses últimos dias.
Senti minhas bochechas ficarem quentes.
– Um dia eu vou a algum show do The Maine, só pra saber como é.
– Que tal ir na nossa turnê em UK? – Ele perguntou.
– Eu não posso. Tenho que voltar pra casa logo... Mas quem sabe eu não apareço na gravação do DVD de vocês? Eu estarei lá.
– Sim, esteja lá. Vou precisar de um beijo de boa sorte quando entrar no palco.
– Quem disse que eu vou te dar um beijo?
– Eu disse, ué!
– Cala a boca... – Dei um tapa em seu ombro nu – Ei, preciso comprar um notebook. Tem como você me levar em alguma loja mais tarde? – Perguntei.
E eu realmente precisava começar a colocar a matéria no “papel”.
– Eu tenho um que eu não uso aqui, se você quiser pode levar pro hotel e quando for embora me devolve, sem problema.
Por um minuto tive medo dele ver o que eu podia fazer no computador. Mas era só eu deletar tudo e John nunca descobriria, só quando chegasse aos ouvidos dele...
– Sério? Você salvaria a minha vida! – Literalmente.
– Sério. – Sorriu. – Quando eu for te levar no hotel eu entrego pra você.
O telefone de John tocou umas duas vezes, até nós acharmos aonde estava e ele atender.
– Ei, ! – Ele atendeu todo sorridente após ver o nome de quem estava do outro lado da linha. – Mas é claro que posso! Uma hora? – Ele olhou pra mim e desfez o sorriso. – Duas horas, pode ser? Estou um pouco ocupado.
Eu sentei novamente no sofá e cruzei os braços.
Ele caminhou para a cozinha, mas eu ainda podia ouvi-lo bem baixinho.
– Sim, eu sei... Eu sempre estou livre pra você... Em duas horas, tudo bem? É também estou com saudades, meu amor... Tudo bem, tchau.
John saiu da cozinha e olhou para mim, suas bochechas estavam um pouco coradas.
Eu o olhei incrédula, quem seria essa?
– O que foi? – Ele perguntou ao perceber o meu olhar furioso sobre ele.
– Não é nada. – Sorri – Quem é ? – Perguntei e ele se sentou do meu lado.
– Uma velha amiga. Ela sempre está viajando... Vou encontrar com ela no shopping, você quer vir? – Não era um convite, ele só estava sendo educado. Era claro em sua voz que ele rezava mentalmente para eu recusar.
– Não, é melhor eu ir pra casa. Quando chegar me liga, se você quiser... – Levantei do sofá e peguei minhas coisas que estavam jogadas na poltrona da sala.
– Quer que eu te leve pra casa? – Perguntou abrindo a porta.
– Não precisa, você está ocupado. – Sorri de novo.
– Então pelo menos me dê um beijo, .
John me puxou pela cintura e sorriu pra mim, se aproximando lentamente.
– Talvez a possa te dar um beijo. – Eu sorri sarcástica.
– Só o teu beijo serve, o dela não. Ela não beija tão bem quanto você. – Ele sorriu.
Ah, então ele já havia beijado a vadia?
Filho de uma puta.
– Então você já beijou a tal da ?
– Uma vez. – Ele balançou a cabeça sem graça, querendo negar tudo.
– Tchau, John. – Tirei as mãos dele da minha cintura e segui até o elevador.
John nada fez, apenas me seguiu com o olhar.
Assim que o elevador na portaria, encontrei uma menina exatamente como eu imagina .
Trajes curtos, maquiagem forte e cabelos longos e saltos do tamanho do universo. Só faltava estar escrito “puta” em sua “mini-blusa”... Ou seria um top?
Dei de ombros e segui em direção a rua, eu pegaria o primeiro táxi que pudesse e iria tomar um ar em algum lugar longe de lá.
Imaginar John beijando outra garota fazia, de verdade, meu coração se partir, por mais clichê que isso pareça. Eu já havia me envolvido com tantos caras famosos e ricos por causa de uma matéria na revista, mas John era tão diferente, divertido... Eu nunca havia passado uma tarde comendo brigadeiro com um cara que me fizesse agir como eu mesma, sem que eu precisasse usar uma máscara ou fingir ser algo que eu não era.
A culpa bateu nas minhas costas com toda a força. Por minutos fiquei pensando em como eu era a maior filha da puta do planeta Terra por estar fazendo aquilo com ele.
E egoísmo subiu a cabeça e eu pensei nas oportunidades de trabalho que eu ganharia com aquilo.
John's POV
Assim que entrou no elevador, fechei a porta e corri para tomar banho. Mas a campainha tocou e eu tive que voltar. devia ter esquecido alguma coisa.
Abri a porta.
– Esqueceu algu... – Não era
Era !
– Ei! Eu não ia encontrar você daqui a pouco? – Perguntei, assistindo-a entrar na minha sala.
– Resolvi passar aqui, é sempre mais divertido na sua casa, John. – Ela sentou no sofá.
era o tipo de guria puta, mas que conquistava qualquer um com a beleza que tinha. Eu nunca gostei dela, sempre fui mais interessado em comê-la do que outra coisa. Ela também nunca gostou de mim, só queria um pouquinho da minha fama. se aproveitava de tudo o que podia.
– Eu só vou tomar banho, tudo bem? – Sorri pra ela.
– Posso ir com você? – Ela me lançou um olhar, seguido de um sorriso malicioso.
Eu adorava quando ela me olhava daquele jeito.
– É melhor você esperar aqui, pode ligar a televisão. – Falei, entrando no corredor e seguindo para o banheiro.
Me xinguei no mínimo três vezes por negar uma boa trepada no banho com a , mas eu pensei na . Aquele sorriso e o jeito que ela saiu brava daqui. Aliás, eu não podia deixar ela brava daquele jeito, eu sempre fodo com todo mundo e ainda me pergunto por que nunca dei certo com alguém.
Joguei a roupa no chão e entrei no banheiro.
ia me dar dor de cabeça, é sempre assim quando ela está por perto.
's POV
Fiquei esperando por dois minutos um táxi e fiz sinal para o primeiro que passou. Informei o endereço para o motorista, que parecia muito simpático e de bom-humor. Ele cantarolava a musica que tocava baixinho no rádio, parecia ser um tipo de jazz.
Espero que os dois morram enquanto eles façam sexo.
John e .
John's POV
Sai do banho e encontrei com no corredor.
Segurei a toalha que estava amarrada na minha cintura e corri para o quarto, ela veio atrás de mim.
– O que você tem, John? – Ela colocou as mãos no meu ombro me dando um abraço.
– Nada, ué. – Tentei me afastar dela.
puxou minha toalha com uma das mãos e eu só percebi segundos depois.
– John... Eu tenho que lhe confessar... Sempre me surpreendo com o tamanho. – Ela riu. – Só ele – apontou para o Mr. All Night – deve pesar mais do que você.
– Isso foi um elogio? – peguei a toalha do chão e me virei para o armário, procurando o que vestir.
– São sempre elogios pra você, John. – Ela se jogou na cama. – Você sabe que eu te adoro. – Olhava pra mim, com um daqueles olhares que fazia qualquer homem sair do sério.
Vesti a roupa na frente dela. Não liguei.
E tentei não ligar para as coisas maliciosas que ela sussurrava.
– , isso tudo é vontade de dar? Sério, liga pro Alex, pro Jack, pro Kennedy, pro Jordan, Nick Santino – Quem sabe aquele virgem do Nick, finalmente, não come alguém? – Você tem tantos números na sua agenda, liga... Sei lá! Justin, que adora uma vadia, o Halvorsen... Mas me deixa em paz! Não percebeu que eu não estou a fim?
– É assim que você me vê então? Uma vadia? – Perguntou séria.
– É... Talvez.
– Talvez seja verdade. Mas ok, ainda podemos sair juntos. – Ela sorriu. – Como amigos, é claro!
's POV
Depois de chegar ao hotel, pedi para que o recepcionista me ajudasse a ligar para alguma agencia de viagem. Depois de ele ter me informado tudo o que era necessário, pedi uma passagem para o Brasil.
Então era isso, eu estaria em casa em uma semana.
Agradeci mentalmente por ter um cartão de crédito e fui até o shopping, que ficava perto do hotel.
Caminhei por menos de dez minutos até chegar a um grande shopping, me informei sobre alguma loja e comprei um notebook.
Agora sim eu estava preparada para a minha brilhante matéria. E eu tinha uma semana para terminá-la. Uma semana para conquistar John O'callaghan e ferrar com a sua vida.
Hey, galera! Tá aí a atualização, espero que curtam e COMENTEM, tô vendo que muita gente deixou de comentar, então não esqueçam de achar o que vocês acham. <3